12 de ago de 2009

Ida à Baixa

Na sexta-feira tinha um almoço combinado na Baixa e umas compras, mesmo na Praça da Figueira, e qual seria o melhor meio de transporte para lá chegar e estar à vontade por lá? Já sei que vão pensar que será a bicicleta o melhor meio mas eu até vos digo que é o metro! Mas melhor ainda é conciliar estes dois ecológicos meios de transporte e assim lá fui de duas rodas até ao Campo Pequeno onde estava a minha companhia e fui de metro o resto do percurso. Mas ainda tirei estas duas fotos de dois pormenores da ciclovia no Fonte Nova em Benfica, quando ela passa por baixo da Segunda Circular e a recta que nos leva para a serra do Monsanto.
É uma bela ciclovia que poderia ser mais útil por outros caminhos e bastante contestada pelas mentes retrógradas dos lisboetas que insistem em apenas pensar em estradas e estacionamentos para os seus carros.


Ciclovia de Benfica

Ciclovia de Benfica


Já na viagem de metro que fiz sem a bike ao lado, tenho a dizer que continua rápido como sempre, confortável quanto baste e com as mesmas pragas e viroses de há anos: os pedintes e os aleijados de profissão. O metro até faz parecer o Windows, usamos mas não podemos alterar as paragens nem o percurso, tal como no Windows não podemos alterar o código fonte; temos de levar com aquelas pragas dos pedintes e as viroses dos carteiristas tal como no Windows temos de levar com adware e vírus. Se calhar acham que estou a ser muito insensível aos dramas sociais mas muitos daqueles pedintes e aleijados usam o metro e o acto de pedir como profissão há anos! E conseguem fazer a ideia do que é estar uma tipa a um metro dos vossos ouvidos e a berrar "dê-me uma esmolinha, sou doente e não posso trabalhar"? Temos de estar sempre atentos à nossa volta e ter atenção à nossa carteira!

Bom, lá cheguei, continua a haver muito transito na baixa, carros demais para o meu gosto, nem tantos como gostaria o Pedro Santana Lopes, pouquíssimos como acha o Barbosa do Partido dos Carros, o ACP, mas é assim que Lisboa é. Já na volta e depois de apanhar a burra fui apanhar a radial de Benfica para ver algumas das obras que o António Costa mandou construir e que prevejo serem únicas caso perca as eleições para o Santana Lopes pois parece-me bem mais fácil o PSL mandar construir um túnel para os carros que atravesse Lisboa do que construir 10 metros de ciclovia "numa cidade de colinas". Eis um pormenor duma via aérea para ciclistas e peões mandada construir pelo actual Presidente da Câmara de Lisboa:

Ciclovia na Radial de Benfica

Outro pormenor à saída dessa mesma ponte:

Ciclovia na Radial de Benfica


Há quem insista que tudo isto é um desperdiçar de dinheiros públicos, ciclovias com pouca utilidade, mas continuo a não ver incentivos reais ao uso da bicicleta como meio de transporte alternativo, eficiente e ecológico, nem vejo aparecer uma cultura e educação para o uso da bicicleta em desfavor ao uso do carro como tem sido prática corrente. E temo que o Santana Lopes caso vença as eleições, ainda piore a situação.

E boas pedaladas...

10 comentários:

Rogério Leite disse...

RT... Na última foto, aquele ZIG-ZAG da ciclovia é o que, hein? ELIMINADOR AUTOMÁTICO DE CICLISTAS? E eu que pensava que não tinha forma de fazer uma ciclovia mais louca que a ciclovia da orla de Recife (em uma praia, avenida RETA, conseguiram fazer uma ciclovia em ZIG-ZAG!)... Vcs venceram de novo! :)))

Rogério Leite disse...

Em tempo... não é ZIG-ZAG... É ONDULADO! http://cidadao.dpnet.com.br/cidadao/viewtopic.php?t=2931&sid=3c0b04d5320642f3ea04550d6f58d755

RedTuxer disse...

É uma descida e costuma haver por ali muitos peões, convem haver estas curvas para o pessoal não passar ali a acelerar.

Rogério Leite disse...

Rt.. vc ainda precisa dispor um email para a gente poder entrar em contato com seu blog... olhe a imagem que encontrei...http://www.treehugger.com/files/2009/08/42-bromptons.php

RedTuxer disse...

Viva

No meu perfil em cima à direita tem lá o meu mail.
Boa imagem, vou publicá-la :)

Cumps

Anônimo disse...

Caro RedTuxer
Esse é um dos motivos para espantar (no sentido de fazer fugir) os potenciais utilizadores de bicicleta. E que, depois de uma experiência alucinante, voltarão a utilizar o carro, convictos que a bicicleta é um brinquedo radical. Todos aceitam pacificamente que uma via rápida é um caminho exclusivo para carros, apesar do voraz apetite de espaço reclamado pelo carro. Mas já custa aceitar que uma ciclovia seja um caminho exclusivo para bicicletas. E uma ciclovia é um caminho exclusivo para bicicletas.
Não faz qualquer sentido que uma ciclovia seja partilhada pelos ciclistas e peões. Em primeiro lugar porque a bicicleta é um veículo, não as pessoas. As pessoas andam aleatoriamente, para a frente, de lado, para trás, sem qualquer regra de circulação ou prioridade. Uma bicicleta move-se para a frente (excepto nos casos em que o ciclista é azelha...) e tem de respeitar sentidos de circulação e prioridades. Tal como os carros, aliás.
Em segundo lugar, porque isso induz nas pessoas a ideia de que é legítima a circulação de bicicletas no passeio. Ora, salvo pequenas excepções, isso é algo que não é permitido nem faz muito sentido. Já existem ruas próprias para a circulação de veículos na cidade. E a bicicleta é um veículo. Logo deve circular nas ruas e não no passeio.
Nas cidades não faz sentido a existência de ciclovias. (Pode haver excepções, claro. Mas serão isso mesmo, excepções.) Essa "ciclovia" (e praticamente todas as existentes em Portugal) não serve os interesses da maioria da população que trabalha ou mora em Lisboa. Não é prática para o dia-a-dia. Segrega e torna, em alguns casos, morosa, difícil e perigosa a sua utilização. Dá razão aos que protestam e argumentam que o carro é o único meio de transporte prático e seguro para o seu dia-a-dia. Repara neste simples exemplo, imagina que quero ir da Conde de Almoster para a Joaquim Paço d'Arcos (meu trajecto frequente há uns anos atrás). Qual é o meio de transporte mais cómodo e rápido? O carro. Se agora quiser ir de bicicleta, terei de evitar a Ribeiro dos Reis, pois se entrar nessa rua serei obrigado a atravessá-la para circular na "ciclovia". Depois, quando estiver debaixo do viaduto da Segunda Circular, lá terei de enfrentar o pesadelo de encontrar um sítio para atravessar os dois passeios e as quatro faixas de rodagem da Sebastião Silva para passar para o centro comercial. E depois, repara, é tããããããããããão prático deixar o carro em cima do passeio, mesmo à porta! Pois peão algum refila, mesmo que o obrigue a desviar-se para lá colocar o carro. As bicicletas, pelo contrário, tão pequenas mas não têm lugares de estacionamento próprio, mais uma chatice a procurar lugar para a guardar. Temos de inventá-los. Umas vezes sendo tão labrego como os labregos dos carros (colocá-las em cima do passeio) ou, se fores mais consciencioso, procurando um buraco onde colocá-la. Tudo coisas que fazem desistir os mais fracos de entre nós.
Ciclovias na cidade, não obrigado. Servem para enganar o papalvo que não utiliza bicicleta e para que uns compadres arrecadem umas massas grossas à custa do contribuinte. Soluções passam por medidas para reduzir a velocidade e o número de carros na cidade (e tirar os carros do passeio, também) e por alterações ao Código da Estrada.
Boas pedaladas.
Iletrado
P.S. Porque é que na escolha da identidade é indicado que o url é opcional e depois exige-me um url (coisa que não tenho)?

RedTuxer disse...

Viva

Uma ciclovia não faz sentido ser partilhada por peões e nem me parece que seja permitido tal coisa, Bas ver a vergonha que é na ciclovia de Cascais - Guincho.
Quanto a andar de bicicleta no passeio, também não é permitido, nem os carros estacionarem em cima deles, mas enfim... A verdade é que o ciclista ao andar no passeio tem o cuidado de não provocar qualquer tipo de acidente com os peões e não ocupa o passeio, o mesmo já não acontece com o carro e os seus automobilistas.

Quanto ao fazer sentido a existencia de ciclovias nas cidades, eu sou a favor da existencia delas mas por outras ruas, como a Estrada de Benfica, Columbano Bordalo pinheiro, Praça de Espanha, e outras assim que sirvam melhor a população, e não ciclovias pelo meio do Monsanto. Em cidades bem mais evoluídas que Lisboa como em Amesterdão, há ciclovias por todo o lado, havendo faixas bem definidas em cada rua para os carros, as bicicletas e para os peões. Porque é que em Lisboa não pode ser assim? Quanto à corrupção, não são as ciclovias as culpadas dela.

Ps.: Isso da escolha de identidade deve ser alguma coisa parva do Blogger, não faça caso...

Cumps
RedTuxer

Anônimo disse...

As ciclovias deste país infelizmente, são só de fachada,servem para parque de estacionamento e ninguém é multado , enfim....
Dentro de uma cidade muitas vezes a bicicleta é o meio mais rapido de transporte.Prefiro andar no meio do transito , assim vou com com o sentido de desviar dos carros , ao passo que nas ciclovias posso ter um acidente mais facilmente.
Gostei de passar pela sua página.

http://ocicloturista.blogspot.com

Anônimo disse...

Caro RedTuxer
Ontem cruzei-me, no meu treino, com dois pares de ciclistas em contra-mão. Em locais e em tempos diferentes, embora bastante próximos. Um dos pares era constituído por um casal de meia idade, o outro eram dois jovens. Todos equipados "à ciclista". Mostraram-se surpreendidos quando eu lhes chamei a atenção para a ilegalidade da situação deles, pois deveriam seguir pela direita. Parei nos dois casos e expliquei-lhes que a bicicleta era um veículo e como tal teria de seguir pela direita, como qualquer outro veículo. A resposta para a situação: eles vinham da "ciclovia" do Montijo e pretendiam prosseguir o seu passeio, ficando, "naturalmente, de frente para os carros, na berma, pois nesta estrada não há passeio" (sic - do casal). Bom, apesar do tempo curto da conversa, ainda tive tempo para saber que o casal tinha adquirido as bicicletas, mais o respectivo equipamento, na semana anterior. Eram "ciclistas de um fim-de-semana" e utilizavam o carro no dia-a-dia. Em relação aos outros, o tempo de conversa foi muito mais curto...
Ora bem, reconheço que estas duas "amostras" não servem sequer para uma amostra de estatística. Mas considero que estes episódios, reforçando o que afirmei anteriormente, ilustram bem o que pensam aqueles que normalmente não andam de bicicleta: a bicicleta é um brinquedo e é equivalente ao peão, logo o ciclista anda no passeio e não na estrada. Com as "ciclovias" que temos essa ideia aumenta, pois todas as que conheço são caminhos de partilha entre o peão e a bicicleta (não conheço todas, mas conheço muitas, de Norte a Sul). Portanto, (apesar de se poder argumentar que este é um problema cultural) continuo com a ideia que as "nossas ciclovias" são prejudiciais para a promoção da bicicleta como veículo utilitário, especialmente dentro das localidades. À medida que mais condutores passearem nas "ciclovias" aos fins-de-semana, mais "ciclovias" ornamentais serão construídas, dificultando ainda mais a vida àqueles que utilizam a bicicleta no seu dia-a-dia. E dificultando também a vida a quem anda a pé, pois a maior parte das "ciclovias" são construídas à custa do passeio. É o que sucede nessa "ciclovia" que passa no Fonte Nova (não a parte do peão, parece que a "ciclovia" foi construída ao lado do passeio existente. Corrige-me se estiver enganado.) Parece porreira para passear de bicicleta, mas dificulta a vida aos outros. A "ciclovia" não só não retirará um único carro da cidade, como irá contribuir para a desistência daqueles que ainda vão conseguindo resistir ao seu uso diário.
Boas pedaladas.
Iletrado

Jhansen R. Machado disse...

Aparentemente aí, tal como aqui, a construção de ciclovias é uma ótima "oportunidade", seja comercial, política, ou de interesses escusos. Isto é, qualquer coisa, menos o legítimo interesse no incentivo ao uso das bicicletas!
Penso até que somos MUITO BOBOS de acreditar que algum governante vai estimular alguma coisa que não renda nada a eles!